vinhoDecember 11, 2006 10:53 am

Lembram da cena em “Uma Linda Mulher”, quando a personagem de Julia Roberts é enxotada de uma loja em Beverly Hills apenas por não parecer alguém com a classe e o dinheiro necessários para comprar algo lá? Pois, depois que comecei a me interessar por vinhos, sempre tive um certo receio de receber tratamento semelhante na Expand Wine Store (Av. Plínio Brasil Milano, 1085 - Higienópolis).

Mas a verdade é que não há razão para se preocupar. Afinal de contas, ao mesmo tempo em que tem lojas por todo o Brasil em regiões nobres das cidades - inclusive na Daslu, em São Paulo -, sua loja virtual é feita em parceria com as Americanas. Pela minha experiência, lhes garanto: mesmo sendo um ignorante sobre vinhos, usando um tênis furado e surrada calça jeans, e querendo vinhos baratos, a Expand é uma boa pedida.

Os vendedores são bastante simpáticos, entendem de vinho e dos produtos que vendem, e sabem fazer sugestões de acordo com o gosto e o bolso do cliente. Inclusive, quem quer gastar pouco não precisa se preocupar, pois há uma seleção razoável de vinhos entre R$ 10 e R$ 40. Além do que, normalmente são alguns destes que são separados para degustação, o que é uma vantagem no caso de não se conhecer muito os vinhos.

É possível, até, encontrar vinhos mais baratos do que em supermercados. A linha Trio, da Concha y Toro, por exemplo, que custa em torno de R$ 45 no Zaffari, sai por R$ 38 e alguns centavos na Expand. E você ainda tem a garantia de que o vinho foi guardado de maneira adequada. Mas, claro, se você tiver R$ 22.980 sobrando, pode comprar um Petrus 1998, ou levar um Romanée-Conti 2001 de barbada, por R$ 8.900.

Seja lá o que for que você resolver comprar, não esqueça de fazer seu cadastro com a loja, para ser avisado de promoções, cursos e degustações. As promoções costumam ter opções para todos os gostos e descontos bem razoáveis, e as degustações são uma bela maneira de conhecer novos vinhos gastando nada ou muito pouco.

A loja ainda oferece algumas frescuras, como uma confortável sala para degustação e uma sala para a guarda de vinhos mais especiais, climatizada, e com lugares que podem ser alugados por clientes que não têm local adequado em casa. E pra fechar o pacote, você pode passar n’A Queijaria, delicatessen que está a uma porta de vidro de distância e tem os queijos e quitutes certos para combinar com seu vinho.

Dica abaixo de R$ 40
Santa Julia Syrah Rosé 2005 (R$29,90) - Podemos estar no estado mais austral do país, mas isso não significa que nosso verão seja menos insuportável. Esta semana, inclusive, a previsão é de muito calor. Assim, nada mais justo do que recomendá-los este excelente rosé argentino.

Esta é não só uma boa opção de vinho para encarar as temperaturas sub-saarianas de nosso verão, mas também para acabar com alguns preconceitos correntes entre boa parte dos apreciadores brasileiros da bebida. Primeiro, a escolha um pouco incomum da uva Syrah faz deste um rosé surpreendentemente encorpado, com suficiente complexidade para agradar os mais empolgados fãs de potentes tintos. Mas, ao mesmo tempo, é um verdadeiro rosé, com a característica leveza e toque de acidez que tanto agradam os fãs de brancos.

Segundo, se você ainda acha que somente os chilenos fazem bons vinhos por estas bandas, ou que nossos hermanos só sabem produzir varietais de Malbec, eis aqui uma boa oportunidade para deixar de ser ignorante. Trata-se, aqui, de um vinho argentino, rosé e barato (Santa Julia é a linha de entrada da Familia Zuccardi), mas de qualidade absolutamente indiscutível.

Neste verão, para acompanhar saladas, peixes ou até pratos leves de carne vermelha, ou mesmo para levar em um piquenique (outro costume raro por estas partes do mundo), esta é uma excelente pedida.

vinhoOctober 30, 2006 2:40 am

Em frente à histórica Banca 40, no Mercado Público de Porto Alegre, está uma banca dedicada às bebidas. A ênfase é aos vinhos da serra gaúcha, mas é possível encontrar uma razoável seleção de vinhos argentinos e chilenos, alguns exemplares do resto do mundo e os clássicos destilados (uísques, bourbons, vodkas e quetais).

A Banca 38 sofre dos mesmos males comentados no post sobre supermercados: garrafas acomodadas em pé e à mercê do calor e iluminação locais. Assim, mantenho as mesmas precauções anteriores sobre quais tipos de vinho comprar ali.

O interessante do local é que os preços variam bastante em relação aos supermercados, que me parecem sua competição mais direta. Certos vinhos, que freqüentam a lista de mais vendidos do Zaffari e Nacional - como o quase onipresente Casillero del Diablo - acabam saindo mais caro aqui, provavelmente pelo menor fluxo de produtos. Mas opções um pouco menos óbvias, especialmente de argentinos e brasileiros, acabam valendo muito à pena.

Enfim, trata-se de uma alternativa mais do que justa aos supermercados, especialmente para quem mora e trabalha na região ou está indo ao Mercado Municipal por alguma razão. A dica do momento é procurar os vinhos da safra 2005 da serra gaúcha, que começam a chegar às lojas: com a seca que abateu o Estado no ano passado, esses devem ser os melhores vinhos brasileiros em muito tempo.

Dica abaixo de R$ 40
Elos - Cabernet Sauvignon / Malbec 2005 (R$ 38,00) - Os vinhos brasileiros sofrem de um problema sério: todos deveriam custar uns 15% mais barato do que custam. Com enormes impostos federais sobre bebidas alcoólicas, os produtores brasileiros têm que fazer milagres na tentativa de competir com seus similares argentinos e chilenos.

Em geral, a competição é injusta: os hermanos produzem vinhos muitos superiores pelo mesmo preço. Mas como a Banca 38 é dedicada aos vinhos gaúchos, e estando diante de uma safra potencialmente diferenciada de nosso vinhos, acabamos achando justo sugerir o Elos, da vinícola “boutique” Lídio Carraro, que tem angariado opiniões muito favoráveis mundo afora.

Como o nome sugere, esta série busca demonstrar as vantagens da mistura de dois varietais, neste caso o Cabernet Sauvignon (80%) e o Malbec (20%), os dois mais festejados da América do Sul. Os potentes taninos do Cabernet misturados ao “tempero” do Malbec fazem uma mistura digna de nota, mas acho que há uma certa deferência excessiva ao corpo magro deste.

O Elos merece, se possível, uma meia hora em um decantador para que todos os aromas do Cabernet possam aparecer. Trata-se de um vinho surpreendentemente complexo para sua faixa de preço e para um vinho do novo mundo, mas acaba falhando num quesito que costuma deixar a desejar também em nossas cervejas: aftertaste. No entanto, a mistura dos toques florais e picantes do Malbec com os potentes taninos do Cabernet fazem deste um vinho bastante satisfatório e ótimo para acompanhar uma carne vermelha bem temperada, que faz aparecer todo o potencial do Malbec.

É um pouco caro, mas com a produção de apenas 3.350 garrafas e todo o preconceito que costuma rondar os vinhos brasileiros, é uma ótima opção para quem quiser variar um pouco os chilenos e argentinos de sempre. Pode, também, ser uma ótima maneira de alguém começar a entender como a idéia de diminuir os impostos para os produtores de vinho brasileiros poderia criar produtos dignos de nossos vizinhos argentinos e chilenos.

vinhoOctober 2, 2006 10:35 pm

O lugar mais óbvio para comprar vinhos, e que deve ser de onde a maioria das pessoas os adquire, é em supermercados. Os mais esnobes podem dizer que eles não têm as condições ideais de armazenamento, nem um bom sommelier ou vendedor para ajudar o comprador. Em parte, estarão certos, mas ainda assim há uma série de casos em que não há razão para comprar vinho em outro lugar.

Para começo de conversa, há uma série de marcas que só são encontradas nas gôndolas do Zaffari ou Nacional. Além disso, seu público não é o de conhecedores dispostos a pagar caro por vinhos especiais, então é lá que se encontra a maior variedade de vinhos simples e baratos. E para quem acha que nunca vai encontrar um bom vendedor de vinhos em um supermercado, eu recomendo que vão ao Nacional do shopping Praia de Belas para terem uma surpresa.

O único real problema de se comprar vinho em supermercado é, de fato, o armazenamento. Boa parte das garrafas ficam nas gôndolas em posição vertical, à mercê das variações de temperatura do ar-condicionado daquela loja (que, imagino, seja desligado à noite) e sob intensa iluminação.

Na prática, isso se traduz no meu principal conselho em relação a adquirir seu vinho de um supermercado: compre vinhos jovens, baratos e de grande saída. Assim, torna-se bastante improvável que o vinho esteja estragado, e caso esteja, não se perde muito dinheiro no processo. Levando isso em conta, o supermercado pode ser a melhor pedida para comprar seu vinho do dia-a-dia.

Dica abaixo de R$ 40
Los Vascos - Cabernet Sauvignon 2004 (R$34,90 no Nacional). Vinícola chilena centenária, há quase 20 anos sob controle de Domaines de Barons de Rothschild (Lafite), este varietal é tido por muitos como um exemplo de que os tintos chilenos podem competir de igual para igual com os exemplares saídos de Bordeaux.

Com sua linha mais barata, produziram um vinho de corpo médio, com taninos leves, mas um final persistente. Tem sabor de frutas vermelhas, com alguma coisa de chocolate e couro. Para quem quer fugir um pouco da obviedade (e certa mediocridade) de um Casillero del Diablo, mas fica intimidado por todas as denominações e chateaus franceses, é uma boa pedida de vinho equilibrado e um pouco mais complexo que o usual.

comida, vinhoSeptember 26, 2006 10:54 am

No dia 29 de agosto, a Assembléia Legislativa aprovou por unanimidade um projeto de lei do deputado Estilac Xavier (PT) que reconhecia o vinho como alimento. A idéia era diminuir os tributos sobre a bebida, incentivando o consumo consciente e dando uma ajuda aos vinicultores. No último dia 22, o governador Germano Rigotto vetou o projeto, depois de incansável cruzada de médicos e ONGs, liderados pelo Simers.

No Brasil, em torno de 50% do preço de uma garrafa de vinho é causado por impostos. Como resultado disso, a bebida se torna cara e os produtores brasileiros acabam não podendo ser competitivos com países como Argentina e Chile, onde os impostos são bem mais suaves. Com a nova lei, deputados e vinicultores esperavam mudar este panorama, incentivando o seu consumo no lugar de bebidas mais nocivas.

Em países como França e Luxemburgo (onde não tenho notícia de o vinho ser um problema de saúde pública), a média de consumo pode chegar a mais de 60 litros per capita por ano. Aqui ao lado, na Argentina, o número ultrapassa os 30 litros. No Brasil, pouco mais de 1,5 litro - enquanto o consumo de cachaça fica nos 15 litros (1,25 litro por mês).

Segundo o governador, a causa dos vinicultores é justa, mas o projeto apresentado tinha lacunas importantes em reiterar que a venda de bebida alcóolica para menores é proibida e prejudicial, e que o vinho deve ser bebido em poucas quantidades para ter resultados benéficos. Deputados e produtores já começaram campanha para apresentar um novo projeto, que leve estes pontos em conta. Enquanto isso, projeto similar ao gaúcho anda pelos corredores do Senado, com a intenção de transformar o vinho em alimento nacionalmente.

Se a causa é justa ou não, cabe a cada um informar-se e decidir. Mas para quem, como eu e a Mirella, é chegado num bom vinho, vamos dar, nos próximos posts, algumas de nossas dicas de lugares onde comprá-los, com pelo menos uma sugestão de vinho abaixo de R$ 40 para comprar. Mas já aviso que quem quiser a belezura a ilustrar este post (não na safra 79 claro), pode escolher entre pagar cerca de R$ 20 mil na Expand, ou ir até Rivera e levá-lo por US$ 1230 no Siñeriz.

comida, vinhoJuly 12, 2006 12:48 am

Universo dos Vinhos Chilenos, brasileiros, argentinos, australianos, espanhóis, portugueses, franceses. A variedade de garrafas em promoção no Universo dos Vinhos, que vai até o dia 31 deste mês no estacionamento do Bourbon Country, é ótima. Mas não espere o mesmo das opções para degustação. A maior parte dos estantes oferece vinhos da Serra Gaúcha. Os demais, um que outro chileno, argentino ou australiano.

É bem verdade que ninguém é louco de ficar distribuindo litros e mais litros de vinhos mais caros, mas confesso que esperava um pouco mais do evento. Ainda assim, é possível conhecer vinhos bons e comprar vinhos excelentes por um preço mais em conta do que se está acostumado. E quem quiser provar todas as opções disponíveis, entre tintos (a maior parte), brancos e espumantes, pode deixar o Bourbon Country levemente embriagado.

Além da bebida, há degustação de frios (queijos, salames, mortadelas e peitos de peru). Baguetes e outros pães diversos podem ir para a cestinha, completando um tira-gosto (para alguns, uma refeição) tipicamente de inverno – pena que o tempo não anda ajudando muito.

Para concorrer a uma caixa de vinhos que será sorteada no fim de semana, basta preencher um formulário com nome, telefone e endereço mais a sua frase preferida entre as expostas nos estandes. A minha é “Se beber vinho fosse pecado, o paraíso estaria vazio”, um sábio provérbio francês.

vinhoJune 1, 2006 9:13 pm

De hoje até domingo, 27 das principais vinícolas do Estado estão na Usina do Gasômetro oferecendo seus produtos a preços especiais. Isso por que o primeiro domingo de junho é o Dia do Vinho.

Promovida pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), a feira está aberta ao público sempre das 10h às 20h, no andar térreo do prédio. Os apreciadores podem degustar e adquirir vinhos, espumantes e sucos de uva.

Em 2005, foram vendidas 3,8 mil garrafas. A meta é chegar a 5 mil neste ano.