trânsitoOctober 12, 2006 5:31 am

Eu sempre gosto de ver a Prefeitura botar as mangas de fora e propor grandes obras de trânsito na cidade. Depois de prontas, reclamo da estupidez de encher o trajeto de sinaleiras (especialmente se forem colocadas sob um viaduto) e de fazer todo o trânsito desembocar naquela via. Mas, ainda assim, acho que é importante que se mostrem preocupados com o assunto antes que a coisa fique por demais caótica por aqui.

A última dessas propostas é um plano para desafogar o trânsito no Centro da cidade, em especial diminuir o número excessivo de ônibus com fim da linha na região. É o preço que se paga por ter uma malha que cobre a cidade tão bem.

No entanto, o projeto como descrito pela Zero Hora não me agrada muito. Primeiro, porque deve complicar a vida de muita gente que usa ônibus para ir para o Centro - para quem, como eu, mora na zona Sul à beira do Guaíba, por exemplo, não faz sentido nenhum ter que ir até a Azenha para pegar o tal ônibus expresso. Segundo porque o transtorno causado pelas obras será fenomenal, e o tempo gasto com elas corre o risco de ser tanto que, quando o projeto estiver pronto, já não dará mais conta do recado.

Para mim, o momento parece perfeito para que a Metroplan deixe de frescuras e comece a discutir, a sério, a proposta de um sistema de metrô ou coisa parecida para Porto Alegre.

Sim, já conheço as histórias de que seria impossível construir túneis nos aterros à beira do Guaíba, e de que o terreno rochoso da região Norte e Leste tornaria tal projeto proibitivamente caro. Mas também conheço o folclórico aeromóvel, encalhado diante da Usina do Gasômetro, bem como sistemas de monorail (como o de Kuala Lumpur, na foto acima), ou mesmo os trens de superfície como o Trensurb que hoje liga Porto Alegre ao Vale do Sinos.

São mais agradáveis para o passageiro, podem ser bem mais baratos que o metrô clássico, as obras causam muito menos transtornos, e ajudam a retirar do trânsito milhares de pessoas que estariam em ônibus, ou mesmo em carros. Assim como o caso da balsa ligando Porto Alegre a Guaíba, a saída é diminuir o número de carros e ônibus nas ruas, e não aumentá-lo.

trânsitoSeptember 22, 2006 5:54 am


Esta sexta-feira é o Dia Internacional Sem Carros, em que as pessoas são incentivadas a deixarem seus automóveis em casa e utilizar maneiras alternativas de locomoção. Porto Alegre, como tantas outras grandes cidades brasileiras, vai se juntar à campanha:

Os secretários municipais do Meio Ambiente, Beto Moesch, e da Mobilidade Urbana, Luiz Afonso Senna, estarão, das 9h às 10h, no cruzamento da Osvaldo Aranha e Fernandes Vieira, ao lado de técnicos da Prefeitura e agentes de educação para o trânsito, na ação pelo uso racional do automóvel, com menos poluição. Às 10h, haverá uma caminhada até o Paço Municipal com a participação dos personagens Eugênia Pitanga, o boneco-árvore da Smam, e Azulito, da EPTC. Também participarão representantes do Batalhão Ambiental, da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) e da ONG Caminhadores.

Sinceramente, acho que alguma entidade da tal sociedade civil poderia ter aproveitado o dia para organizar alguma forma de protesto diante da Metroplan e do Palácio Piratini, pedindo um aumento da área de cobertura do Trensurb na cidade. Mesmo cansado de ouvir a história de que o solo rochoso da maior parte de Porto Alegre torna economicamente inviável a construção de um metrô subterrâneo, não vejo razão para não apresentar soluções com trens de superfície, ligados à linha atual do Trensurb.

Mas talvez seja muito otimismo esperar este tipo de bom senso em uma cidade que coloca sinaleiras de pedestres sob viadutos, e paradas de ônibus sobre os mesmos.

foto do Flickr de joneew
trânsitoSeptember 1, 2006 1:51 am

Elas foram retiradas e já voltaram a seus devidos lugares. Nas últimas semanas, a prefeitura substituiu as lombadas eletrônicas existentes em Porto Alegre. Os novos equipamentos (quase todos já instalados) devem entrar em funcionamento a partir da semana que vem.

Ou seja, se você andou passando a milhão em frente ao Beira-Rio nos últimos dias, volte a prestar atenção nos limites de velocidade permitidos pelas lombadas: 40km/h durante os dia úteis (segunda a sábado), das 6h às 22h30, e de 60km/h, das 22h30 às 6h. Aos domingos e feriados, a velocidade máxima permitida é de 60km/h.

Além da Avenida Padre Cacique, as lombadas estão localizadas nos seguintes endereços: Avenida Antônio de Carvalho, 1655, e entre os números 1800 e 1820; Avenida Mal. José Inácio da Silva, próximo da Rua Nova Prata e nas proximidades do número 240; Estrada Costa Gama, 3501; Rua Guadalajara, 1035; Avenida Icaraí, 1719, e nas proximidades do número 1949 e na Rua Otávio Santos, 330.

trânsito, esporteJune 13, 2006 3:34 pm

Repartições públicas e bancos fecham mais cedo, alunos não terão aulas e as sinaleiras da cidade serão adiantadas. Sinceramente, como acho que a excessiva velocidade das sinaleiras porto-alegrenses é responsável por boa parte dos engarrafamentos da cidade no horário de pico, não consigo imaginar que a medida da EPTC irá ajudar em muito o trânsito nesses dias de jogo. Mas, ninguém poderá acusá-los de não tentar.

política, trânsitoMarch 25, 2006 5:39 pm

anulo 99 Com o escândalo do mensalão e a derrocada do PT como uma alternativa política ética e íntegra, cada dia mais gente parece desiludida com o processo democrático, e a campanha pelo voto nulo nas eleições deste ano tem ganhado força como nunca. Prova disso foi este cidadão da foto (clique para ver maior), passeando pela av. Ipiranga na sexta-feira em seu Sportage novinho com um adesivo dizendo “Eu Anulo” usando o clássico símbolo anarquista.

É possível que o dono do carro seja, de fato, um anarquista que sempre anulou o voto. Obviamente, o adesivo em questão pode não ter nada a ver com um crescimento de eleitores que pretendem anular seu voto nas próximas eleições. Mas o fato é que eu, pelo menos, nunca tinha visto carros andando com adesivos deste tipo pela cidade. Então, ao menos fica o registro.

Caso alguém se sinta inclinado a interpretar minha posição política por causa deste post, recomendo que vão ao meu blog pessoal e leiam o que eu disse sobre a idéia do voto nulo como maneira de protesto político.

trânsitoMarch 14, 2006 1:00 am

Idosos e estudantes começaram a receber, na manhã de segunda-feira, material educativo entregue por esse bonecão inadjetivável para circular com mais segurança nas estações dos corredores de ônibus da Capital.

Coincidência, eu queria já falar sobre os corredores baseado na experiência de atravessar a João Pessoa por um deles todos os dias, indo trabalhar. Atravessar a rua na sinaleira em frente ao Jornal do Comércio é uma aventura maior do que na minha saudosa Assis Brasil.

Por algum motivo que só meu preconceito explica, os motoristas dos ônibus que passam por ali vindos da Zona Sul têm um espírito assassino bem mais desenvolvido do que eu jamais pensei ser possível. Mais de uma vez vi ônibus entrando na chicane sem brecar, só no freio motor, ainda a uns 40 por hora. Bem na noite de ano-novo, flagrei um atropelamento ali e estou ainda surpreso por ter sido o único durante este ano morando aqui perto.

Os corredores de ônibus de Porto Alegre são engraçados. Em quase todo seu trajeto, não têm muros separando-os da pista comum. São simplesmente um pedaço da rua reservado aos ônibus por olhos-de-gato, um convite pros piás atravessarem correndo pra chegar em casa no almoço a tempo de ver os gols da rodada.

Mas, mesmo assim, os atropelamentos costumam ser sempre perto das paradas. Velhinhos se desequilibram, ou tropeçam no asfalto deformado que às vezes sobe o meio-fio. E me custa entender isso: a sinaleira fica vermelha pros carros, o coitado atravessa até a metade mas, ao chegar na pista dos ônibus, vê uma faixa de segurança apagada que devia servir pros ônibus pararem e um inexplicável sinal amarelo piscante dizendo “atenção”.

Na verdade é “salve-se quem puder”, “atravessa rápido quando der”, “os Nonoai são os piores”. Um deslize e eis os 21 feridos e 2 mortos que a EPTC cita na matéria acima. Fico mesmo curioso pra saber o que tem nessa cartilha que vai ajudar as pessoas a não serem atropeladas pelos Tingões que chegam atrasados no Centro. Deve ser “andem de carro, inúteis”.

trânsitoFebruary 14, 2006 1:45 pm

Quase diaramente, na volta do trabalho, passo pelo caminho conhecido por “Caracol” - na verdade a seqüência das ruas Eng° Olavo Nunes, Eng° Adolfo Stern, Cabral e Barão de Ubá - que desce da Casimiro de Abreu até a avenida Nilópolis. Quem conhece sabe que não chega a merecer comparações com a Lombard Street de São Francisco, mas que a seqüência de curvas fechadas à esquerda e à direita podem intimidar motoristas menos seguros.

Pois isso não foi impedimento para alguns guris sentarem em um Palio e sair desafiando suas esquinas e inclinações em alta velocidade, como podemos ver neste vídeo. São seis minutos de freadas bruscas, curvas cantando pneu e risadas idiotas pelas ruas da Capital, em especial pelo Caracol, que eles parecem não se cansar de subir e descer.

Na real, a minha impressão é de que a coisa não é tão ruim quanto parece (ou quanto faz crer a opinião dos comentaristas no blog do homem-meme Leandro Belloc, de onde tirei o link). A câmera trepidante e as ruas estreitas dão uma impressão de velocidade maior do que a real, e cantar pneus em curvas também não é sinal de alta velocidade (só de pneu baixo). E também podemos ver o garoto à direção constantemente olhando para os lados, e parando antes de atravessar cruzamentos.

Não que não mereçam uma surra dos pais pela falta de responsabilidade, mas depois do que já ouvi de relatos de pessoas que praticam a temerosa “roleta russa”, acho que esses guris até que estão bem encaminhados.