políticaAugust 23, 2006 5:26 pm

Na semana em que foi divulgada nova pesquisa Ibope de intenção de voto dos gaúchos para a presidência, dois candidatos desembarcam em Porto Alegre.

Heloísa Helena, que dobrou seu percentual na pesquisa (de 8% para 16%), chegou hoje por volta do meio-dia e literalmente parou o trânsito. A candidata do P-Sol foi recebida no Istituto de Artes da Ufrgs, gravou programas políticos no comitê de Luciana Genro e volta para Brasília daqui a pouco. Durante a passagem pela Capital não deixou de criticar Lula por não participar dos debates.

Outro que teve o percentual de intenção de voto dobrado (de 1% para 2%), Cristovam Buarque deve chegar hoje à capital dos gaúchos.

Lula x Alckmin

A grande novidade da pesquisa, realizada entre os dias 15 e 17 de agosto em 61 municípios do Rio Grande do Sul, foi a redução da diferença entre Geraldo Alckmin e Lula. O candidato do PSDB aparece com 29% das intenções de voto (tinha 26% na pesquisa anterior, feita entre 19 e 22 de junho). Lula tem agora 34%, ante 39% do levantamento de junho.

No segundo turno, o ex-governador de São Paulo teria mais votos gaúchos do que o presidente (45% a 39%). Em junho Lula e Alckmin apareciam tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 42% (para o petista) e 39% (para o tucano).

E você, que não deve ter respondido a nenhuma das duas pesquisas, já sabe em quem vai votar para presidente?

políticaJune 28, 2006 12:36 pm

Hoje é dia de Consulta Popular. Gaúchos de todo o estado poderão, através do voto, priorizar demandas de suas regiões. O processo é rápido e muito fácil.

É uma grande oportunidade de exercer sua cidadania. Nem que seja no ano que vem, cobrando o que não fizeram.

política, trânsitoMarch 25, 2006 5:39 pm

anulo 99 Com o escândalo do mensalão e a derrocada do PT como uma alternativa política ética e íntegra, cada dia mais gente parece desiludida com o processo democrático, e a campanha pelo voto nulo nas eleições deste ano tem ganhado força como nunca. Prova disso foi este cidadão da foto (clique para ver maior), passeando pela av. Ipiranga na sexta-feira em seu Sportage novinho com um adesivo dizendo “Eu Anulo” usando o clássico símbolo anarquista.

É possível que o dono do carro seja, de fato, um anarquista que sempre anulou o voto. Obviamente, o adesivo em questão pode não ter nada a ver com um crescimento de eleitores que pretendem anular seu voto nas próximas eleições. Mas o fato é que eu, pelo menos, nunca tinha visto carros andando com adesivos deste tipo pela cidade. Então, ao menos fica o registro.

Caso alguém se sinta inclinado a interpretar minha posição política por causa deste post, recomendo que vão ao meu blog pessoal e leiam o que eu disse sobre a idéia do voto nulo como maneira de protesto político.

política, polícia & segurançaMarch 14, 2006 1:54 pm

A tal “democracia participativa” e sua principal arma, o referendo, são há muito tempo defendidos pela esquerda brasileira como uma maneira de integrar o cidadão no processo de tomada de decisões e despertar nele o respeito e interesse pela política. Além de exemplos mais do que batidos, como o “orçamento participativo“, ano passado vimos uma verdadeira guerra se estabelecer no Congresso Nacional em volta da questão da consulta popular em relação à proibição do comércio de armas de fogo.

Por algum tempo, a “bancada da bala” manobrou o que pôde para evitar que a consulta ocorresse, enquanto líderes da esquerda e representantes de entidades de combate à violência os acusavam de ter medo do povo, de retrógrados e aí por diante. Não passava um dia sem que eminências como Fábio Konder Comparato aparecessem na mídia, exaltando as qualidades deste tipo de ferramenta política.

Pois nesta quarta-feira os vereadores de Porto Alegre devem votar um projeto de lei apresentado por Ibsen Pinheiro (PMDB), prevendo a utilização de plebiscito para consultar a população sobre a proposta de cercar parques públicos da cidade. Segundo levantamento do jornal Zero Hora, o projeto deve ser aprovado com algumas modificações. Mas ao ler a matéria e a lista de votos dos vereadores, uma surpresa: toda a bancada petista é contrária ao plebiscito.

Diz a vereadora Sofia Cavendon que “o senso comum, em função da insegurança, será cercar os parques. Mas a questão é mais complexa, há medidas que a sociedade pode tomar para ocupar o parque e torná-lo seguro“. Ao que eu digo “e daí?“. Eles não estão votando a favor ou contra cercar os parques, mas a favor ou contra consultar a população sobre o assunto.

A interpretação mais óbvia, neste caso, me parece a mais acertada: com medo de que o resultado da consulta popular vá de encontro às suas opiniões, a bancada petista prefere calar a canalha.

políticaFebruary 16, 2006 3:56 pm

As bandeiras menores são da Força Sindical. As maiores dizem “Bingos querem regulamentação JÁ!”, “Bingos - Regulamentar é preciso” e “Chega de injustiça - queremos trabalhar!”, esta última assinada pela Associação dos Trabalhadores de Bingo (Astrabin). Na esquina da rua Mostardeiro com a avenida Göethe, os manifestantes gritam palavras de ordem como “Lê, lê-lê-o, lê-lê-o, lê-lê-o, lê-lê-o, BINGO!” ou “Ar, ar, ar, queremos trabalhar”.

Alguns motoristas, como o daquele caminhão azul que podemos ver na foto, buzinam em aparente sinal de solidariedade, mesmo que não haja maneira de que tenham conseguido ver do que se trata a manifestação. Até agora (16h02), uns quinze minutos depois de eu ter visto a bagunça, a Brigada já passou pelo local algumas vezes mas não julgou necessário parar. O trânsito permanece normal, até porque os carregadores de bandeira só se manifestam quando a sinaleira está fechada.

Pelo menos deixou minha tarde mais divertida. UPDATE: 16h30 olho pela minha janela e constato que todos se foram. Se fosse cínico, diria que foi porque voltou a chover. Mas não sou.

educação, políticaFebruary 9, 2006 1:11 pm

Nossos digníssimos deputados acabam de fazer um favor a estrangeiros que, porventura, precisarem entender a expressão “tapar o Sol com a peneira“:

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou na quarta-feira (8), em caráter conclusivo, o projeto de lei que determina que todas as universidades federais reservem 50% das vagas a alunos de escolas públicas.

Faz sentido, não? O governo é incapaz de melhorar o nível de ensino das escolas públicas, mas as universidades federais continuam sendo consideradas, em sua maioria, pontos de excelência em termos de ensino superior no País. Como é muito complicado resolver o problema das escolas públicas, melhor punir aqueles que têm a oportunidade de ter o ensino de melhor qualidade.

Se eu fosse uma pessoa otimista, esperaria que nossos senadores votassem em massa contra este projeto. Mas considerando a época, e o potencial eleitoral da medida, imagino que será facilmente aprovada.

UPDATE: o assunto virou reportagem especial da Zero Hora desta sexta-feira. Regozijo em saber que a maioria dos especialistas consultados tem uma visão parecida com a minha, o que também comprova que os digníssimos deputados não devem ter consultado nenhum antes de votar.