jornalismoJanuary 3, 2007 10:11 pm

Se você é assinante de Zero Hora e não é um santo, é bem provável que tenha sentido falta da tirinha do genial Laerte nas páginas do Segundo Caderno do jornal. Pois acontece que ao longo do ano passado, muitos leitores teriam enviado cartas ou feito ligações à redação do periódico, reclamando do nonsense e da bizarria do humor do cartunista e dizendo não achá-las à altura da publicação.

Assim, personagens como os Piratas do Tietê, Hugo, Deus e o Homem-Catraca acabaram sendo substituídos por Lola, uma tirinha mal desenhada e absolutamente genérica, como as outras que já faziam parte do roster do jornal. É mais um triste episódio na longa história do jornalismo que abre mão da qualidade para satisfazer as sensibilidades de seus leitores.

Fosse eu um assinante, tomaria tal decisão como uma declaração por parte da direção de Zero Hora de que o jornal não é feito para pessoas como eu, que admiro o humor de Laerte. Pode parecer um exagero fazê-lo por causa de uma tirinha, mas acho que seria interessante se pessoas começassem a trocar sua assinatura pela de algum jornal como a Folha de S. Paulo, deixando isto bastante claro para o serviço de atendimento ao leitor do periódico porto-alegrense.

Como já fiz isso há muito tempo, registro aqui meu repúdio à decisão, e espero que o cancelamento não tenha muito efeito no orçamento do cartunista.

P.S.: e por falar nisso, se alguém do ClicRBS (Cássia? Sérgio?) por um acaso acabar neste post, pelamordedeus repassem o link da sessão “ajuda para editores” do Google News e dêem um jeito de colocar seu site entre aqueles listados pelo serviço de notícias. Não peço isso apenas como “editor” deste blog, mas como alguém interessado nas notícias do Estado e que gostaria de acompanhar o site com mais assiduidade (já que um feed RSS parece ser complicação demais por ora).

vida noturna, jornalismoOctober 28, 2006 4:05 pm

Está nas bancas por aí (ou, segundo a própria revista, “em bares, baladas, lojas, faculdades, cursinhos e outros lugares de vida inteligente”) a Cidade B, nova publicação produzida, editada e distribuída em Porto Alegre e Região Metropolitana.

Com um projeto gráfico moderninho, à la Trip e TPM, a revista se propõe a falar sobre cultura, política e boemia. Na edição número 1, Cidade B traz uma entrevista com o vocalista da Comunidade Nin-Jitsu e deputado estadual eleito Mano Changes, dicas de cinema, música, literatura, moda e lugares para sair. Também tem uma reportagem sobre política/eleições, uma carta ao futuro presidente (ao estilo Pero Vaz de Caminha), uma entrevista com Leandro Ferreira (artista que vende seus trabalhos de colagem de bar em bar na Cidade Baixa), uma matéria sobre Os Gêmeos e por aí vai.

Exceto por alguns detalhes, como uma página inteira dedicada a um boteco que não diz onde ele fica, a revista parece bem interessante – confesso que não li tudo ainda. Ao contrário de outras tentativas de novos produtos editoriais na Capital, tem váááários anúncios (especialmente de bebidas e casas noturnas, o que reforça a idéia do público-alvo), que até se misturam ao conteúdo editorial em seções e colunas. A distribuição é gratuita e a tiragem é de 5 mil exemplares.

cultura, jornalismoApril 19, 2006 11:43 pm

Há algum tempo, o ClicRBS, principal portal de conteúdo do Estado, passou por uma grande reformulação visual. Ao invés da cara clássica de portal, eles optaram por um visual mais próximo de um mural de recados, separando o conteúdo por áreas ao longo da capa.

Eu não gostei muito, tive uma impressão de menor organização e unidade do que a antiga capa. Algumas coisas, por outro lado, como o fim dos links em javascript que impediam que eles fossem abertos em novas janelas ou tabs, foram excelentes.

Um detalhe, no entanto, chamou a atenção de vários conhecidos: a mensagem exibida no caso de se tentar acessar o ClicNessa, canal de cultura do portal. Parecia estranho que o novo site fosse ao ar com uma parte inacabada, e sem data específica para voltar ao ar.

Pois, como finalmente todos podem comprovar, se tratava do que me parece uma tentativa de marketing viral para promover um novo produto a ser lançado pelo grupo. Quem não viu outdoors com perguntas como “quer achar apartamento?” espalhados pela cidade? Ou propagandas similares na TV, dizendo que “o aga vai entrar em sua vida” ou coisa semelhante?

Lançado hoje, o Hagah é a resposta do pseudo-mistério. É uma versão turbinada do ClicNessa, com mais conteúdo produzido pelo pessoal do portal, como dicas de compras de imóveis ou comentários sobre mercado de automóveis. O visual, no entanto, é exatamente o mesmo do novo ClicRBS (no qual o Hagah já está linkado, inclusive).

Como tentativa de marketing viral, a idéia foi uma catástrofe completa. Muita gente ficou sabendo do que se tratava com antecedência (eu sabia há, pelo menos, uma semana), e ainda assim a história não parece ter rendido muita curiosidade por parte de ninguém. Fiz uma rápida busca pelo Google e Technorati, e não consegui achar nenhum post falando sobre isso. Nenhum veículo da RBS (a ZH, em especial, parecia mandada fazer para isso) tentou repercutir o mistério.

No mais, apesar das intenções de fazer o site ter um visual “Web 2.0″, inclusive com uso de AJAX em alguns lugares, o resultado final não me agrada. Achei a interface feia e muito pouco prática (experimentem entrar na área de roteiro e procurar os filmes que estão passando em Porto Alegre). O conteúdo ainda é escasso, mas fontes seguras dizem que a partir dessa sexta-feira o canal começa a receber um fluxo constante de notícias e colunas por parte da equipe do Clic. E, no fim das contas, é isso que realmente vai interessar para que ele seja uma ferramenta útil.