cidadeApril 8, 2007 8:53 pm

O Moisés Mendes levou dois escritores, Sérgio Faraco e Donaldo Schüler, moradores da Zona Sul e Zona Norte respectivamente, para dar um passeio do outro lado da cidade. Isso rendeu quatro páginas do caderno de Cultura da Zero Hora deste sábado de Aleluia, disponíveis aqui.

Não foi só a citação ao Jardim Planalto, bairro onde cresci e estou de volta, que me agradou na ótima matéria. Mas, principalmente, ler sobre um cara que morou na Rússia mas nunca havia passado do Obirici. E outro que traduziu Finnegans Wake e deu aula no Canadá, mas não conhecia Belém Novo. É porque sou talvez o maior fã de Porto Alegre que existe, e, desde que comecei a andar de ônibus ou dirigir, conhecer direito esta cidade é uma baita diversão para mim. Deve ser por isso que a idéia de viver em outra seja tão estranha – teria de começar tudo de novo. E também me agradou muito saber que é possível ser um “cidadão do mundo” e acabar aqui de novo.

arte & eventos, cidadeMarch 27, 2007 4:29 am

O aniversário da cidade acabou de passar, mas há uma série de eventos ao longo da semana em comemoração aos 235 da Capital. Confere e anota aí (caso você saiba de outras programações culturais especiais sobre Porto Alegre, nos avise):

  • Sarau: Nesta terça, a partir das 21h, o Sarau Elétrico, no bar Ocidente, celebra o aniversário de Porto Alegre e fala da relação das pessoas com a cidade. O hamburguense Luís Augusto Fischer, o rio-grandino Cláudio Moreno e a soteropolitana Katia Suman recebem os porto-alegrenses Pedro Maron e Thiago Lázeri, criadores e roteiristas do seriado POARS. Haverá ainda exibição de curtas gaúchos e a participação do cineasta Cícero Aragon. O ingresso é R$ 8.
  • Literatura: Como resultado da oficina ministrada por Luís Augusto Fischer durante o ano passado, o livro No meu tempo - Histórias de infância em Porto Alegre será lançado na quarta, às 19h, no Studio Clio. O livro é uma compilação de textos sobre infância na Capital. A entrada é franca e o livro custará na hora R$ 20.
  • Fotografia: O seminário Porto Alegre na fotografia resgata o trabalho dos principais fotógrafos que, entre os séculos XIX e XX, registraram a vida, as pessoas e a paisagem da capital gaúcha. Sob coordenação de Jorge Barcellos e Viviane Maglia, será apresentada e analisada a produção de Terragno, Calegari, Ferrari, Sioma e João Alberto, entre outros. O seminário acontecerá nos dias 26, 27, 28, 29 e 30 de março, das 14h30min às 18h. A carga horária é de 20 horas-aula (cinco encontros de quatro horas-aula). No Studio Clio. Valores: R$ 80,00 (geral), R$ 72,00 (professores e estudantes) e R$ 64,00 (conveniados). Vagas limitadas.
  • Exposição 1: Segue no Margs (Praça da Alfândega, s/nº) a exposição As Cidades Imaginadas de Erico Verissimo. A mostra apresenta o olhar de diversos artistas sobre os locais descritos pelo escritor em seus romances. Até 8 de abril na Galeria João Fahrion, de terça a domingos, das 10h às 19h, com entrada franca.
  • Exposição 2: Também no Margs, mas no bistrô, está a exposição Porto Alegre em Cor. A mostra reúne 16 fotografias coloridas que retratam paisagens, monumentos, casas e personagens da Capital. Cada um dos oito fotógrafos – Eduardo Achutti, Carmem Gamba, Fernando Bueno, Leonid Streliaev, Mathias Cramer, Nádia Raupp Meucci, Dulce Helfer e Ricardo Chaves – foi convidado a escolher duas fotos representativas de Porto Alegre para compor a exposição. A visitação é gratuita e ocorre de segunda a sexta, das 11h às 21h, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 19h, até 29 de abril.
  • Comemoração oficial: A programação especial da Secretaria Municipal de Cultura vai até o final de semana, encerrando com o tradicional Baile da Cidade, na Redenção. Confira no site da secretaria as atrações até lá.
arte & eventos, cidadeDecember 5, 2006 12:47 am

Cutout morning, do saudoso Gabriel Pillar, tirada da janela da casa dele, no bairro Mont’ Serrat. A foto é de setembro, mas é bela e está valendo.

cidadeOctober 9, 2006 7:53 pm

Não sei se alguém mais notou, mas o Google Maps agora tem mapa das ruas de Porto Alegre. Para quem, como eu, adora brincar com mapas antes de se aventurar em regiões ou cidades desconhecidas, é uma grande notícia.

Verdade que, antes, já havia o mapa oficial da Prefeitura, ou os mapas do Terra. Mas todos mostram uma janela minúscula, e te obrigam a ficar vendo partes da cidade em incrementos. Agora, podemos ter a tela inteira tomada pelo mapa, e ficar indo dum lado pro outro conforme bem entender.

arte & eventos, cidadeSeptember 21, 2006 12:46 am

Estão em exposição no Salão Adel Carvalho da Câmara de Vereadores 21 fotos de Porto Alegre em preto e branco. Os trabalhos, feitos em película, foram apresentados por 15 fotógrafos, amadores e profissionais, no X Concurso Anual Sioma Breitman de Fotografia.

Três delas foram premiadas e outras três receberam menções honrosas. A que ilustra este post, do jornalista Mateus Bruxel, ficou em segundo lugar. O médico Domingos de Almeida Martins Costa conquistou o primeiro lugar, com uma vista aérea. O terceiro lugar foi esta foto de Miriam Marroni.

A mostra pode ser visitada das 9h às 18h, de segundas a quintas-feiras, e das 9h às 16h, nas sextas-feiras. Informações no Memorial da Câmara (Avenida Loureiro da Silva, 255), telefones (51) 3220-4187 e 3220-4318.

cidadeSeptember 19, 2006 5:41 pm

Marcelo Träsel, blogueiro, editor do ótimo blog gastronômico Garfada, jornalista e mestrando em comunicação na Fabico, é morador do Centro de Porto Alegre. Na última segunda-feira, participou de um grupo focal sobre o bairro, organizado por um professor da UFRGS, e por sua sugestão e com sua autorização, publicamos aqui suas impressões sobre o evento.

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Participei nesta segunda-feira de um grupo focal sobre o Centro de Porto Alegre, organizado pelo professor Walter Nique, da Escola de Administração da UFRGS. Fui convidado por ser morador do bairro e, suponho, blogueiro. Conversando com o professor Nique, sujeito simpático e aparentemente entusiasmado com a vocação, descobri que a iniciativa foi dos alunos, que em sua cadeira devem produzir uma pesquisa em marketing a cada semestre. No site da disciplina pode-se baixar PDFs com todas as pesquisas já feitas. Uma boa fonte de informação sobre a cidade.

Entre os colegas, o major Maciel, da 1ª Companhia do 1º Batalhão da Brigada Militar, responsável pelo policiamento da região, Cláudio Klein e Fortunato, da associação dos concessionários do Mercado Público, Clarissa Ciarelli, editora dos cadernos de bairro da Zero Hora, e Maria Erni, arquiteta da secretaria de Planejamento. Foi uma boa oportunidade de ter uma idéia do que se pensa sobre o Centro. A discussão girou em torno principalmente da questão da segurança e da deterioração dos aparelhos públicos.

O major Maciel certamente foi corajoso em comparecer. Era óbvio que ele teria de se defrontar com a ira dos cidadãos presentes. A maioria parece compreender que o comando da BM não tem tanta culpa pela falta de efetivo para policiar o Centro da capital, mas isso não aliviou as reclamações. Eu, por exemplo, comentei com o major que é inaceitável não se ver um só PM durante quase dois anos de trajeto diário pela praça Argentina. Todos os dias passo lá e todos os dias há vidro de carro quebrado no chão ao longo do meio-fio. Ou seja, até os minerais sabem que se rouba um monte de carros lá. Por outro lado, o major afirma que já prendeu um mesmo sujeito 60 vezes. Em todas ele foi liberado pelo Judiciário. Assim, realmente, fica difícil trabalhar.

(more…)

cidadeAugust 1, 2006 6:01 pm

A culinária na maioria das vezes é fator de estranhamento entre culturas que se encontram. Mudar para o RS não era grande problema. Sabíamos do churrasco. Não seria problema. Exceto pelo fato que é humanamente impossível passar todos os dias à base de carne e arroz de carreteiro.

Imáginavamos que, sendo fato sabido que o churrasco é apreciadíssimo no sul e era apreciadíssimo por nós, o restante da dieta gaúcha seria basicamente parecida com a nossa.

Acertamos em parte, como vim a descobrir um dia em que recebemos a visita de um primo meu e sua garota, logo depois de mudarmos.

Bateu aquela fome da tarde e não havíamos almoçado, o que transformava a fome da tarde em uma fome substancial. Fomos, meu primo e eu, atrás de um inocente X-salada. Oras, que diferença poderia haver num x-salada paulistano e um x-salada gaúcho?

Íamos pela Protásio Alves, ali perto do Hospital de Clínicas, quando avistamos um desses trailers de lanches. Sentamos e pedimos, inocentemente, para a simpática proprietária, um x-salada, caprichado na maionese.

Observamos o preparo e começamos a estranhar. Por que ela estava pondo milho? O que ela estava fazendo com o pote de ervilha na mão? QUE PÃO GIGANTE É ESSE MEU??
Pedimos explicações.

- Ué moço, tu pediu um x-salada, tou fazendo. Quer ovo?
- Ovo?!?!

Achamos melhor explicar a situação. Veja só minha senhora, somos seres de outro planeta. E não estamos familiarizados com o cardápio de lanches local. Por exemplo, como se faz x-bacon?

- Igual a esse, só que com bacon.
- Quer dizer, com tudo o que tem nesse. E bacon?
- Sim guri.
- Uaaaau…

Não preciso dizer que foi um parto comer aquele lanche imenso.

Paulistanamente, o “x” é basicamente hamburguer e queijo; x-bacon é a adição de bacon, x-egg de um ovo, e assim sucessivamente, permitindo inclusive combinações como o x-bacon-salada, etc.

Anos depois, descobri o lugar definitivo pelo menos para mim, em termos de lanche: o Cavanhas.

Conheci aquele original, da Perimetral, e fiquei estupefato em ver que o lanche podia vir acompanhado de um pequeno Everest de fritas em cima. O garfo e a faca vinham equilibrados por cima de tudo… sensacional!

Outro grande ponto é o Cachorro-Quente do Rosário, que quando conheci já era point dos laricados da madrugada. Foi a primeira vez que perguntei se tinha garfo e faca pra comer um cachorro-quente.

Ouvi uma lenda de um lugar perto do Beira-Rio que apelidaram carinhosamente de “Roda de Carreta” em alusão ao tamanho do lanche, basicamente um PF enfiado dentro de um pão escavado e depois prensado. A lenda diz que qualquer um que conseguir comer um inteiro leva outro, absolutamente grátis. Que vantagem né? Tipo: “vai lá Pedrinho, é tua vez de comer um lanche daquele e trazer o outro pra família.”

Algo me disse para evitar passar por lá.

Leo Carvalho é paulista, mantém o blog Boteco do Leo e conta aqui alguns causos do tempo em que era cidadão porto-alegrense.
cidadeJuly 27, 2006 9:57 am

Nota do editor: a partir de agora, com a freqüência que ele bem entender, o paulistano Leonardo Carvalho vai escrever alguns posts sobre como foi sua experiência ao morar por alguns anos na capital gaúcha. Então, divirtam-se com seus causos e descobertas.

Paulistanos…

E se sou paulistano, devo o amadurecimento a Porto Alegre. Foi em 1991. Morávamos em Ilhéus fazia 9 meses e meu pai, hoteleiro, nômade, perguntou: “Vamos morar em Porto Alegre?”. Pior que a pergunta da minha mãe: “Tem praia?”, foi a resposta do meu pai: “Não sei.”

Nossa primeira casa foi o finado Hotel Caesar Park, nada a ver com a atual rede de hotéis. Era um hotel familiar e de primeira, ficava na Ramiro Barcelos quase na Independência. O prédio ainda existe e não sei o que é dele hoje. Lá, no mês de setembro, começamos a correria para achar colégio que nos aceitasse, minha irmã e eu. O IPA topou a parada.

Imaginem um primeiro dia de aula em pleno fim de segundo semestre numa oitava série. Passei por isso. Não teve grande impacto sobre minha vida (já estávamos ficando especialistas em nomadismo) mas não deixa de ter relevância.

Íamos por essas quando um colega de trabalho do meu pai nos convidou para um jantar no CTG 35. Churrascaço! Entremeado por amostras da cultura gaudéria. Daí veio o primeiro susto: começaram a tocar o Canto Alegretense. O povo a nossa volta batia nas mesas e cantava como nenhum paulistano sequer sonhara em cantar. Sei lá, alguém se arrisca a falar de alguma música que mexa com os brios paulistanos de tal forma?

Lembro que nesse mesmo fim de semana fomos atrás de uns tais “arcos” que vimos no centro da cidade e que achamos tão bonitos. Meu pai pegou o carro do hotel no domingo de manhã: “deve ser fácil de achar”. E lá fomos nós. Hoje eu sei que se trata da Borges de Medeiros. Quinze anos atrás, era “uma rua de arcos, assim, assado”. Não achamos naquele dia.

Vimos o primeiro pôr-do-sol no Guaíba naquele domingo. Não me lembro de ter visto um, senão mais bonito, mais significante. Era como se a cidade estivesse definitivamente nos acolhendo.

Daí pra frente são as histórias. Cada esquina do Bom Fim, bairro onde vivi com minha família e da Cidade Baixa, onde vivi sozinho, tem um pouco de mim. E é esse pouco que vou deitar aqui nesse espaço. Porres, discussões, risos, choros, tudo incluso. Espero que vocês aproveitem essa viagem por essa cidade de que tanto gosto através dos olhos de um paulista, tão diverso no princípio, tão acolhido no fim.

economia, cidade, consumoJuly 26, 2006 1:15 am

Caso você ainda não tenha percebido, Porto Alegre está em liquidação. A falta de frio e a Copa do Mundo prejudicaram as vendas nos meses de junho e julho e levaram os lojistas a anteciparem as tradicionais promoções de final de estação. Muitos começaram a queimar seus estoques muito antes, mas desde sábado está ocorrendo o Leva Tudo Porto Alegre.

Tradicionalmente, o evento organizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) acontece na segunda quinzena de agosto, mas os donos de lojas, desesperados, pediram para que fosse antecipado. A CDL espera um incremento em torno de 7%, índice que vai ajudar a reduzir as perdas de junho, quando o varejo teve uma retração de 3%.

Quem não comprou nenhuma pecinha de inverno esse ano, pode aproveitar a promoção e escolher uma roupa nova para o frio que chega no próximo fim de semana. O Leva Tudo Porto Alegre vai até domingo. Os descontos são variados – começam nos 10%, 15%, mas chegam a 60%, 70% em alguns estabelecimentos, com possibilidades de pagamento a prazo. Pode valer a pena.

Dica: se não quiser perder tempo perneando pela cidade para descobrir que lojas aderiram à liquidação (o que tem muito mais graça, mas enfim), entra aqui e pesquisa.

arte & eventos, cidadeJune 17, 2006 7:05 pm

Porto Alegre recebeu esta semana, da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, quatro obras permanentes da última Bienal realizada na Capital, entre setembro e dezembro do ano passado. A cerimônia de entrega foi na quarta-feira, no Santander Cultural.

As obras, localizadas na orla do Guaíba (em intervalo de um quilômetro ao longo do Parque Harmonia), fazem parte do núcleo Intervenções de Caráter Permanente, do vetor Transformações do Espaço Público da mostra, que enfocam mudanças da noção de espaço. Por mais que algumas pessoas possam questionar o valor artístico das obras, é triste ver que já foram pichadas e estão bem mal cuidadas – como toda a orla do Guaíba, diga-se de passagem.

São elas (explicações retiradas do site da prefeitura):
Espelho Rápido, de Waltércio Caldas: composta por uma plataforma de granito que sustenta tubos de aço e quatro matacões de granito. Segundo o próprio artista, Espelho Rápido é intimista, “evitando falar ao público, privilegiando o indivíduo. É um lugar integrado ao ambiente, no qual o olhar e o movimento são fundamentais”.

Cascata, de Carmela Gross: consiste em 16 degraus de concreto com 23 metros de largura e tem como intenção ligar a calçada com a beira do Guaíba, permitindo a interação da população. “Minha idéia não é fazer uma escultura no sentido tradicional, distante, mas sim um equipamento urbano a ser utilizado pelas pessoas, que podem andar e sentar sobre ele. O declive natural do local ajuda, e a intenção é juntar o plano da calçada com o da beira do Guaíba através de uma sucessão de outros planos, que são os degraus”, explica a artista.

Olhos Atentos, de José Resende: composta por duas vigas de aço, que se estendem acima do Guaíba, formando uma passarela. Convidado para desenvolver uma obra contemporânea com características de equipamento urbano, o artista criou uma estrutura suspensa com a qual as pessoas podem interagir, caminhando sobre ela. De acordo com Resende, a obra criada para a Bienal do Mercosul – cuja característica marcante é a relevância dos materiais empregados e suas relações com o espaço, em lugar de apenas utilizá-los como suporte para formas convencionais – tem como objetivo fazer “Porto Alegre enxergar-se com novos olhos”.

A obra de Mauro Fuke, Paisagem (foto), é formada por 648 blocos de concreto com placa de granito no topo, que formam três ilhas, como pequenos morros. Para a criação, foi utilizado um programa de computador de geração de terrenos. O artista explica que sua intenção era estabelecer um diálogo com a paisagem em volta e trabalhar a idéia da intervenção humana. O aterro onde a obra foi construída é considerado ideal pelo artista, “por si só, já é uma intervenção do homem na paisagem”. Assim como a obra de Carmela Gross, a de Mauro Fuke também trabalha interagindo com o público. “As pessoas podem sentar, andar e deitar nas ilhas”, convida o artista.

comida, cidadeMarch 30, 2006 5:04 pm

Lavajato
Sertório com Pernambuco: lavagem Brandalise. O Barão mandou lavar seu coche lá por dentro, por fora e por baixo, por R$ 25. Não demorou meia hora, deram cafezinho e cadeira para ler no ar condicionado e ainda aceita Visa Electron.

Georges Pastel
Falaram do Cenoura Pastéis por aqui, com toda a justiça. Mas ali, também na Sertório, atrás do campo do Zequinha, está o magnata dos pastéis em Porto Alegre: Georges Pastel. Se como empresário ele parece estar atrás do Cenoura, que tem 3 filiais a pleno vapor, como novo-rico ele é imbatível.

Começou numa garagem, construiu um prédio de dois andares, comprou o terreno ao lado e construiu um prédio gigante, todo envidraçado, de estilo inexplicável. É o Georges Pub Pastel Bar Dance Hall - o pub com preço de boteco. Quem tirar uma foto e mandar para o Palegre ganha um pastel. Que é muito bom, por sinal.

Dá para deixar o carro na Lavagem Brandalise, pegar um ônibus no absurdo corredor da Sertório (troféu Açorianos de Pior Idéia Viária de 2001), comer alguns e voltar para buscar o brioso, que vai estar brilhando.

cidade, lugaresMarch 27, 2006 6:11 pm

Ricardo Stricher / PMPA

Foi inaugurado ontem, no dia em que Porto Alegre completou 234 anos, o Parque Germânia. Com 14,5 hectares, a área é fica dentro do Jardim Europa, megaempreendimento da Goldsztein ao lado do Shopping Iguatemi.

O Germânia é o primeiro parque cercado da cidade, fica aberto ao público das 7h30min às 20h e tem segurança 24 horas, com quatro cavalarianos da Brigada Militar, dois motociclistas da Guarda Municipal e quatro seguranças particulares.

Quatro áreas de preservação ambiental somam cerca de 70 mil metros quadrados e concentram espécies nativas como cerejeiras, figueiras e pitangueiras. Para lazer e prática esportiva, há quatro quadras poliesportivas, duas quadras de tênis, pista de caminhada e corrida, chafariz, três canchas de bocha, sendo uma delas coberta e iluminada, lago com trapiche, sanitários e churrasqueira.

Pelas fotos e relatos, parece bonito e agradável, uma boa alternativa a lugares como Parcão e Encol, embora eu ache que vai ficar lotado de gente nos próximos dias. Quem der uma passada por lá, por favor, nos conte como foi a experiência.

cidade, bichos 3:46 pm

Marcos_Nagelstein Se depender da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), o tradicional Baile da Cidade, que comemora o aniversário de Porto Alegre na Redenção, não terá mais espetáculo de fogos de artifício a partir de ano que vem.

É, a festa realizada no sábado (foto) foi provavelmente a última a enfeitar o céu do Bom Fim com as luzes coloridadas dos fogos. O motivo: a suposta morte de pássaros por causa do barulho.

O Grupo Porta-Voz Animal, uma assossiação de proteção aos animais da Redenção, diz que a queima de fogos de artifício provoca a morte, por infarto, de pássaros da região. O grupo afirma ter recebido reclamações de moradores do bairro sobre pássaros mortos recolhidos no dia seguinte ao baile do ano passado, mas não tem provas de que isso realmente ocorre.

O coordenador do Centro de Patologia Aviária da UFRGS, Carlos Tadeu Pippi Salle, afirmou, em reportagem publicada pelo jornal Zero Hora, que a mortandade de aves nesses casos é possível, mas não é o mais provável. Segundo o pesquisador, a exposição de animais silvestres a interferências dos fogos pode causar estresse e, eventualmente, infartos, mas considera a hipótese remota.

Na mesma matéria, o titular da Smam, Beto Moesch, afirma que não há registro sobre mortes de pássaros por causa dos fogos:

O abalo que os fogos causam às aves existe, mas jamais houve qualquer registro de morte após um Baile da Cidade. Vale ressaltar que a Redenção e sua fauna são adaptadas à zona urbana. Mesmo assim, a Smam eliminou o uso de rojões, reduziu o tempo do show pirotécnico e estuda realizar o espetáculo em outro local.

Apesar de dizer que não nunca houve mortandade de pássaros, Moesch queria que o espetáculo fosse banido já neste ano, talvez para não se incomodar com os protetores dos animais. Por pressão da Secretaria da Cultura, a apresentação foi transferida do espelho d’água para o Monumento ao Expedicionário, mais longe das árvores.

Para 2007, a intenção da prefeitura é criar outro espetáculo, utilizando o chafariz e o espelho d’água, para substituir a queima de fogos. Até o aniversário de 235 anos de Porto Alegre, a polêmica deve render mais alguns capítulos.

cidadeMarch 22, 2006 9:40 am

No próximo domingo, dia 26, Porto Alegre comemora seu 234° aniversário. Ao longo desta semana, várias atividades oficiais ou nem tanto marcam a celebração da data, embora eu ache que não tenha muito perigo de a gente ir parar no Guinness por causa do maior bolo do mundo.

Ontem, teve apresentação de bandas marcias de colégios da Restinga como parte das atividades preparadas pela Secretaria Municipal de Educação. O prefeito José Fogaça, por sua vez, entregou a Medalha de Porto Alegre a 25 “personalidades” de destaque na sociedade gaúcha.

Quem quiser ficar por dentro dos eventos oficiais que marcam o aniversário da Capital pode encontrar tudo que precisa no site da Prefeitura. Mas como um professor meu de jornalismo dizia que não devemos nos fiar em fontes oficiais, estamos de ouvidos e caixas postais virtuais abertas para receber dicas de eventos culturais fora do circuito programado pela Prefeitura. Se alguém souber de algo, ou quiser anunciar sua própria festinha, encha os comentários ou entre em contato conosco.

cidade, culturaMarch 10, 2006 11:09 am

lacadorAlguns anos atrás, a prefeitura de Porto Alegre resolveu fazer uma eleição entre cidadãos e moradores, para estabelecer o símbolo oficial da cidade. Durante quase todo o tempo que durou a votação, o pôr do sol no Guaíba estava à frente de outros concorrentes como a Usina do Gasômetro, a Casa de Cultura Mario Quintana e o horroroso Laçador.

Eventualmente, o movimento tradicionalista decidiu que a capital do Rio Grande do Sul não poderia ser representada por outro ícone que não aquela estátua feita à imagem de Paixão Côrtes. Para os que não sabem, Côrtes é o responsável por, junto de Barbosa Lessa, inventar um movimento de resgate de uma suposta cultura tradicional do Estado que lhe é muito pouco legítima. No entanto, isso não lhes impediu de criar toda uma trupe de defensores ardorosos da sua versão da história do Estado, e acabar por fazer com que fôssemos mundialmente identificados com esta imagem do gaúcho grosso, pilchado e com faca na bota. Mas tegiverso.

O fato é que, quando a votação para escolha do símbolo da cidade se aproximava do fim, o movimento tradicionalista fez uma campanha entre CTGs e simpatizantes da causa, que resultou em uma votação maciça n’O Laçador. O resultado foi que aquela pequena, feia e equivocada estátua que recebe a todos que chegam na cidade acabou eleita símbolo de Porto Alegre.

Agora, a construção de um viaduto no local onde está a estátua deve, mais uma vez, acabar em uma demonstração de força e indignação do movimento tradicionalista. Devido à obra, a prefeitura estabeleceu que o Laçador deve ser transferido, provavelmente para a margem direita da Avenida dos Estados, em frente ao antigo terminal do Aeroporto Salgado Filho, onde ficará dando adeus àqueles que deixam a cidade em direção ao litoral.

A idéia já está causando reclamações por parte dos parentes do escultor Antônio Caringi, autor da obra, que dizem que a mesma deve ficar no canteiro central da avenida, para que continue a simbolizar “um abraço que o gaúcho dá em seus visitantes”. Estou contando os dias para surgir uma entrevista com Paixão Côrtes, e começar o rebuliço nos CTGs da cidade. De minha parte, torço para que a estátua se arrebente no processo de transferência e nos vejamos livres deste símbolo feio de uma cultura inventada.