Chico “Paratodos” só mesmo na música que este homenageia Tom Jobim, diziam alguns, enfurecidos com os valores cobrados. Lamúrias a parte, o show foi esplêndido, e uma sucinta homenagem ao Tom prestada (em Imagina).
Começo reverenciando o clima de ansiedade que inundava todo interior do teatro, havia gente de todo tipo e idade nesta segunda noite de espetáculo. Aquele tão usual tracejado do Pão de Açúcar já tão imaculado em diversas cenografias, dessa vez deu lugar a um belo contorno dos subúrbios do Rio, que ficavam suspensos sobre o palco. A iluminação foi magnífica.
E o Chico? O Chico, no centro do palco, ali a dez metros de mim, banquinho e violão, um acompanhamento musical invejável, timidez e resguarde de palco. Com aquela lábia de atiça moças e doutrinar malandros, conquistou todas as pessoas que lá estavam – exceto alguns birrentos que queriam ter ouvido um “eu amo a gauchada”, entre uma música e outra – seu carisma natural só se ampliava a cada música do antigo repertório, cantou canções como Mambembe e Eu te Amo e de outras menos conhecidas. E pra quem achava que não havia mais o que se cantar sobre o Rio, teve que se render ainda ao fantástico repertório do novo álbum Carioca. No bis – e houve dois – aproximou-se mais do público com sambas mais conhecidos, finalizando com João e Maria. Noite inesquecível, esta do dia 29 de março de 2007.
Eduardo Peruzzo, estudante de História, sobre a segunda apresentação de Chico Buarque na Capital
