cidadeApril 8, 2007 8:53 pm

O Moisés Mendes levou dois escritores, Sérgio Faraco e Donaldo Schüler, moradores da Zona Sul e Zona Norte respectivamente, para dar um passeio do outro lado da cidade. Isso rendeu quatro páginas do caderno de Cultura da Zero Hora deste sábado de Aleluia, disponíveis aqui.

Não foi só a citação ao Jardim Planalto, bairro onde cresci e estou de volta, que me agradou na ótima matéria. Mas, principalmente, ler sobre um cara que morou na Rússia mas nunca havia passado do Obirici. E outro que traduziu Finnegans Wake e deu aula no Canadá, mas não conhecia Belém Novo. É porque sou talvez o maior fã de Porto Alegre que existe, e, desde que comecei a andar de ônibus ou dirigir, conhecer direito esta cidade é uma baita diversão para mim. Deve ser por isso que a idéia de viver em outra seja tão estranha – teria de começar tudo de novo. E também me agradou muito saber que é possível ser um “cidadão do mundo” e acabar aqui de novo.

música 8:37 pm

Chico “Paratodos” só mesmo na música que este homenageia Tom Jobim, diziam alguns, enfurecidos com os valores cobrados. Lamúrias a parte, o show foi esplêndido, e uma sucinta homenagem ao Tom prestada (em Imagina).

Começo reverenciando o clima de ansiedade que inundava todo interior do teatro, havia gente de todo tipo e idade nesta segunda noite de espetáculo. Aquele tão usual tracejado do Pão de Açúcar já tão imaculado em diversas cenografias, dessa vez deu lugar a um belo contorno dos subúrbios do Rio, que ficavam suspensos sobre o palco. A iluminação foi magnífica.

E o Chico? O Chico, no centro do palco, ali a dez metros de mim, banquinho e violão, um acompanhamento musical invejável, timidez e resguarde de palco. Com aquela lábia de atiça moças e doutrinar malandros, conquistou todas as pessoas que lá estavam – exceto alguns birrentos que queriam ter ouvido um “eu amo a gauchada”, entre uma música e outra – seu carisma natural só se ampliava a cada música do antigo repertório, cantou canções como Mambembe e Eu te Amo e de outras menos conhecidas. E pra quem achava que não havia mais o que se cantar sobre o Rio, teve que se render ainda ao fantástico repertório do novo álbum Carioca. No bis – e houve dois – aproximou-se mais do público com sambas mais conhecidos, finalizando com João e Maria. Noite inesquecível, esta do dia 29 de março de 2007.

Eduardo Peruzzo, estudante de História, sobre a segunda apresentação de Chico Buarque na Capital