(…) Chico consegue ser, ao mesmo tempo, o malandro e o romântico, o desamparado e o sedutor, o ícone e o cara que anda pelas ruas da zona sul carioca tomando água de coco.

Vestido de várias maneiras, o público aplaudiu vários Chicos: delicado, em Imagina e Eu te Amo, popular em Bye Bye Brasil e Morena de Angola, transcendente em Porque Era Ela, Porque Era Eu, sofisticado em As Vitrines e Morro Dois Irmãos.

Dizer público é um eufemismo. As mais de 1,7 mil pessoas que estavam no Sesi pareciam devotos saudosos da canção brasileira, aquele gênero quase em desuso em que música e letra se completam, em que vale a pena prestar a atenção nos versos. Para Chico Buarque, provavelmente o caso não é tão sério assim. Como ele comentou quando a turnê passou por Lisboa, depois de 40 anos ele finalmente começou a gostar de cantar no palco.

No final do show – que começou às 21h e 20min até as 23h –, Chico deu a prova definitiva de que qualidade pode andar de mãos dadas e passos certos com a popularidade. No bis, atendeu o saudosismo dos fãs pelos sambas arrasta-povo. Em uma de suas poucas frases durante o show provocou:

– Vamos ao samba?

Enfileirou Sem Compromisso, Deixa Menina, Quem te Viu, Quem te Vê e fechou a noite com a delicada João e Maria.

Renato Mendonça, em matéria publicada no jornal Zero Hora, sobre o primeiro dos cinco shows de Chico Buarque na Capital