Quem queria saber como será a política de segurança do até agora surreal governo Yeda Crusius, não tem mais com o que se preocupar. Em entrevista ao Jornal do Almoço de hoje, o secretário de Segurança, Ênio Bacci, afirmou que o Estado encontra-se “praticamente numa guerra civil“.
O deputado federal - que em seu site se intitula a voz forte do Rio Grande - diz saber que não terá muitas verbas para aparelhar a polícia ou melhorar os salários dos policiais, mas que espera contar com seus cidadãos para ajudar na investigação e denúncia de ocorrências criminosas no Estado. Ou seja, vai continuar tudo do jeito que está: uma polícia truculenta e despreparada, esperando que a população sirva como dedo-duro de seus vizinhos.
Essa coisa toda de “guerra civil”, em especial, me parece bastante perigosa. Até onde eu entendo, uma guerra pressupõe ações minimamente organizadas, lados diferentes em conflito por algum fim específico. O crime cotidiano brasileiro, este que afeta cidades como Porto Alegre, não tem nada de guerra, não se trata de diferentes forças combatendo por um fim maior, exceto pelos ainda raros casos de enfrentamentos de gangues em locais como a Restinga.
Não me parece que incutir na polícia a mentalidade de que estão lutando uma guerra, de que precisam subjugar um inimigo, seja a melhor maneira de esperar que estes passem uma sensação de calma e segurança à população. Espero estar errado, mas a declaração do secretário de que “2007 será um ano muito ruim para a bandidagem” não me deixa nem um pouco tranqüilo.
UPDATE: e se alguém tem dúvida de que o mal é nacional, recomendo esta coluna do Guilherme Fiúza.

