Um belo estádio, gramado irretocável e uma transmissão televisiva de primeiro mundo. Em uma rápida olhadela na TV, alguém até poderia achar se tratar de um bom jogo da Copa da UEFA. Mas lá estavam Internacional e Al-Alhy, e quem ficou pelo menos cinco minutos à frente do televisor rapidamente descobriu que, sob o verniz da superprodução, tínhamos um jogo não muito diferente do que vimos ao longo do Brasileirão deste ano.
O nervosismo do time gaúcho, especialmente no início da partida, já era esperado. Com poucos jogadores experientes neste tipo de competição, e ansiosos pela oportunidade de finalmente estrear no Mundial, os colorados começaram afobados, jogando sem nenhuma dedicação tática. Não muito diferente do que se viu na final do Gauchão, quando Abel também teve diante de si um time muito inferior e achou que bastava botar seus jogadores em campo para ganhar a partida.
A surpresa, no entanto, foi o sufoco ter durado até o final do jogo. Com um time nitidamente superior, o Internacional não conseguiu em nenhum momento tomar conta do jogo. Dava espaços - especialmente pelo lado esquerdo -, não conseguia armar jogadas e acabava apelando ao chutão pra frente. O primeiro gol acabou saindo (aos 23 min) de uma infelicidade de um zagueiro egípcio que, ao tentar tirar a bola de Fernandão, a entregou nos pés de Alexandre Pato, abandonado pelos zagueiros por estar em posição de impedimento.
Impedimento, inclusive, foi o que a grande promessa colorada mais fez no jogo. Iarley e Alex também tiveram dificuldades em evitar a antecipação da zaga do Al-Alhy. No fim das contas, os três tiveram atuações bastante discretas, e Pato ainda demonstrou estar longe do preparo físico ideal, tendo que ser substituído no meio do segundo tempo com cãibras. O que, no fim das contas, se mostraria providencial, já que o jogo seria resolvido em uma cabeçada de Luiz Adriano, que o substituiu.
Só quem não decepcionou foram Fernandão e Clemer. Mesmo jogando um pouco mais atrasado que de costume, o atacante foi o cérebro do time e não houve uma jogada de perigo do Inter que não passasse por seus pés. Diante da pouca produção de Alex e Iarley, é difícil entender por que Abel não colocou Vargas em campo antes, para liberar seu único jogador que produzia alguma coisa. Clemer, por sua vez, voltou a mostrar a mesma sorte que teve na Libertadores, quando uma bola na trave voltou no seu braço mas não foi para o gol. E também acabou fazendo uma cagada, que resultou no único gol do Al-Alhy: ao sair da área para espantar uma bola na lateral, demorou para voltar para o gol, ficando mal posicionado para defender a cabeçada de Flávio.
Mas que o resultado e o fato de eu só ter falado do Internacional não engane o leitor: o jogo foi parelho do começo ao fim, e poderia, facilmente, ter terminado empatado e forçado uma prorrogação. Fossem os atacantes do Al-Alhy um pouco melhores, e poderiam até ter ganhado a partida, tendo botado uma bola na trave e tido outra chance clara de gol quando um perna de pau deu um voleio na frente do gol colorado que deve ter mandado a bola para Okinawa.
No fim, a vitória colorada foi justa pela melhor qualidade individual de seus jogadores, e pelo oportunismo de Alexandre Pato e Luiz Adriano. Mas o sufoco passado diante de um time fraco há de servir para que o time colorado desça dos saltos e se dê conta que há muito a ser trabalhado até o domingo. Em não ocorrendo alguma zebra no jogo de amanhã, o Barcelona é franco favorito para levar este Mundial.

“..o time colorado desça dos saltos e se dê conta que há muito a ser trabalhado até o domingo”…
Descer do salto? Não me parece o caso, cara. Concordo com todos teus argumentos menos este. O nervosismo da estréia é que eu acho que foi o fator que mais colaborou para o time ter jogado aquém da sua real capacidade… O que importa é que domingo tem a final e, independende do adversário, será uma decisão dificílima.
Comment by Otto — December 13, 2006 @ 1:24 pm
OTTO: não conheço um colorado que não desse a vitória sobre o Al-Alhy como certa desde que terminou o jogo contra o Auckland. duvido que este tipo de pensamento também não tenha passado pela cabeça dos jogadores e, principalmente, do Abelão.
como eu comentei, me lembrou muito o Gauchão, em que ele achou que bastava botar os jogadores em campo que eles resolviam tudo sozinho. de repente, como o Douglas diz, isso faz parte do SURREALISMO que levará o Inter ao campeonato. mas, por ora, só parece o Abel sendo o Abel.
Comment by Solon Brochado — December 13, 2006 @ 1:54 pm
Conheço vários colorados que estavam com medo de um vexame. Muitos mesmo.
Comment by Mirella — December 13, 2006 @ 3:27 pm