No dia 29 de agosto, a Assembléia Legislativa aprovou por unanimidade um projeto de lei do deputado Estilac Xavier (PT) que reconhecia o vinho como alimento. A idéia era diminuir os tributos sobre a bebida, incentivando o consumo consciente e dando uma ajuda aos vinicultores. No último dia 22, o governador Germano Rigotto vetou o projeto, depois de incansável cruzada de médicos e ONGs, liderados pelo Simers.
No Brasil, em torno de 50% do preço de uma garrafa de vinho é causado por impostos. Como resultado disso, a bebida se torna cara e os produtores brasileiros acabam não podendo ser competitivos com países como Argentina e Chile, onde os impostos são bem mais suaves. Com a nova lei, deputados e vinicultores esperavam mudar este panorama, incentivando o seu consumo no lugar de bebidas mais nocivas.
Em países como França e Luxemburgo (onde não tenho notícia de o vinho ser um problema de saúde pública), a média de consumo pode chegar a mais de 60 litros per capita por ano. Aqui ao lado, na Argentina, o número ultrapassa os 30 litros. No Brasil, pouco mais de 1,5 litro - enquanto o consumo de cachaça fica nos 15 litros (1,25 litro por mês).
Segundo o governador, a causa dos vinicultores é justa, mas o projeto apresentado tinha lacunas importantes em reiterar que a venda de bebida alcóolica para menores é proibida e prejudicial, e que o vinho deve ser bebido em poucas quantidades para ter resultados benéficos. Deputados e produtores já começaram campanha para apresentar um novo projeto, que leve estes pontos em conta. Enquanto isso, projeto similar ao gaúcho anda pelos corredores do Senado, com a intenção de transformar o vinho em alimento nacionalmente.
Se a causa é justa ou não, cabe a cada um informar-se e decidir. Mas para quem, como eu e a Mirella, é chegado num bom vinho, vamos dar, nos próximos posts, algumas de nossas dicas de lugares onde comprá-los, com pelo menos uma sugestão de vinho abaixo de R$ 40 para comprar. Mas já aviso que quem quiser a belezura a ilustrar este post (não na safra 79 claro), pode escolher entre pagar cerca de R$ 20 mil na Expand, ou ir até Rivera e levá-lo por US$ 1230 no Siñeriz.
