Marcelo Träsel, blogueiro, editor do ótimo blog gastronômico Garfada, jornalista e mestrando em comunicação na Fabico, é morador do Centro de Porto Alegre. Na última segunda-feira, participou de um grupo focal sobre o bairro, organizado por um professor da UFRGS, e por sua sugestão e com sua autorização, publicamos aqui suas impressões sobre o evento.
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Participei nesta segunda-feira de um grupo focal sobre o Centro de Porto Alegre, organizado pelo professor Walter Nique, da Escola de Administração da UFRGS. Fui convidado por ser morador do bairro e, suponho, blogueiro. Conversando com o professor Nique, sujeito simpático e aparentemente entusiasmado com a vocação, descobri que a iniciativa foi dos alunos, que em sua cadeira devem produzir uma pesquisa em marketing a cada semestre. No site da disciplina pode-se baixar PDFs com todas as pesquisas já feitas. Uma boa fonte de informação sobre a cidade.
Entre os colegas, o major Maciel, da 1ª Companhia do 1º Batalhão da Brigada Militar, responsável pelo policiamento da região, Cláudio Klein e Fortunato, da associação dos concessionários do Mercado Público, Clarissa Ciarelli, editora dos cadernos de bairro da Zero Hora, e Maria Erni, arquiteta da secretaria de Planejamento. Foi uma boa oportunidade de ter uma idéia do que se pensa sobre o Centro. A discussão girou em torno principalmente da questão da segurança e da deterioração dos aparelhos públicos.
O major Maciel certamente foi corajoso em comparecer. Era óbvio que ele teria de se defrontar com a ira dos cidadãos presentes. A maioria parece compreender que o comando da BM não tem tanta culpa pela falta de efetivo para policiar o Centro da capital, mas isso não aliviou as reclamações. Eu, por exemplo, comentei com o major que é inaceitável não se ver um só PM durante quase dois anos de trajeto diário pela praça Argentina. Todos os dias passo lá e todos os dias há vidro de carro quebrado no chão ao longo do meio-fio. Ou seja, até os minerais sabem que se rouba um monte de carros lá. Por outro lado, o major afirma que já prendeu um mesmo sujeito 60 vezes. Em todas ele foi liberado pelo Judiciário. Assim, realmente, fica difícil trabalhar.
