Conforme prometido, eis as impressões de mr. Guima sobre a bacanália de hair metal da última segunda-feira, no Opinião.

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Se eu fosse vereador, proporia uma lei que obrigasse a realização de uma cota anual de shows de hard rock. Seria uma forma de acostumar as novas gerações a shows de rock de verdade, coisa que anda cada vez mais em falta. Por exemplo, tocar com a cabeça baixa, olhando pros próprios pés, seria considerado crime gravíssimo, sujeito a banimento do universo dos músicos porto-alegrenses.

Felizmente, não foi esse o clima ontem no Opinião. O desfile de camisetas pretas foi uma constante, com destaque para as estampas do Kiss, absolutas. Antes dos shows começarem, o som mecânico rodou Metallica, Iron Maiden, Motorhead, AC/DC e outras pérolas do gênero. Tudo preparado para a maior noite poser do ano na cidade.

Com o áudio da antológica cena do filme “Warriors – Guerreiros da Noite” (”Warriors, come out to plaaay!”), a Baby Doll deu início aos trabalhos. O vocalista Dr. Love deu uma aula glam com seu casaco de pele, calça de couro e botas tigradas. Pra completar o visual, usava uma camiseta escrita “MTV te deixa burro”. O guitarrista Ijuí tava com uma baby look do RBD (sim, isso mesmo, Rebelde) e uma luva listrada que ia quase até o ombro. Isso é hard rock, beibe!

O repertório incluiu todos os clássicos da banda, como a impagável “Sexo na Horizontal” (”Fica comigo, vai ser legal/ Nesse embalo na horizontal/ Tudo que eu sei, eu vou te ensinar/ Essa noite, ménage à trois”), “Ninfomaníaca”, “Frígida” (”Não sei o que ela tem no meio das pernas/ Deve ser uma daquelas TPMs eternas/ Frígida, sem tesão/ Frígida, não vai gozar/ Frígida, sem tesão/ Frígida, prefiro a minha mão”) e “Gata Gulosa”. Durante o show, o Dr. Love divertiu o público “penetrando” uma boneca inflável, distribuindo brindes (boneca das Meninas Superpoderosas, revista pornô, entre outros). Pra fechar o show, antes de cantar “Quem é Toniolo?” ele pichou o nome dessa lenda urbana gaúcha num lençol branco. Mais cênico impossível. E o público foi ao delírio, claro.

“Roqueiro de verdade tá aqui hoje”. Essa frase do Jacques Maciel, líder da Rosa Tattooada, já dava uma idéia do que viria pela frente no show. A banda é boa demais. Beat Barea detonou na bateria, com direito a solo e tudo. O repertório foi basicamente do novo disco, “Rendez-Vous”, já que era noite de lançamento do CD.

As ótimas “Amor ou Tesão”, “Cidade Nua”, “O beijo certo (na pessoa errada)” – melhor nome de música de todos os tempos – mostraram que a banda continua tão competente quanto lá no começo dos anos 90, quando compunha clássicos com a maior facilidade. Principalmente baladas. “Não pode ser você” e “O norte do seu coração” deram aquele clima de acender isqueiro, tão saudoso dos tempos de rock de arena.

Do disco “Carburador” rolaram a música-título e outros hits, como “Diamante Interestelar”, “Miragem” e “Gatinha Tarada”. A NEW GENERATION do rock gaúcho pedia a todo momento músicas do primeiro disco, principalmente “Virando noites e dias” e “Voltando pra casa”. Foi legal ver que a gurizadinha curte o primeiro álbum deles, mas a insistência tava beirando o intolerável. E pior é que não adiantou de nada.

Só o que rolou da velha guarda foi “O inferno vai ter que esperar” e “Tardes de Outono”. Quando o Jacques começou a tocar “Hey, Hey, My, My”, do Neil Young, pensei por um instante: “Deus, não deixa ele tocar essa música até o fim, por favor”, mas pra minha alegria logo o riff se transformou no riff dessa que é a melhor balada do disco de estréia da banda.

O show se aproximava do fim e eu aguardava ansioso por mais uma música do último disco. E ela veio. “Carne de Motel” fez a minha alegria. Que baita rock! E pra alegrar a turma de camiseta preta que tava em maioria, cover de Kiss pra encerrar a noite. Todo mundo cantou “Rock N’ Roll All Nite” com a banda. Eles sabem como ganhar o público, isso é fato.

Imagino que todo mundo tenha ido pra casa feliz. Eu pelo menos fui. Até porque, quando o show acabou, o som mecânico do bar começou a tocar “I Remember You”, do Skid Row. Resolvi sair antes da música terminar pra deixar eternizado esse belo momento, do melhor show de rock que Porto Alegre já teve esse ano. E se me elegerem vereador, garanto que momentos como esse vão ser bem mais freqüentes.