Mais um Gre-Nal, e mais histórias de violência e depredação. Desde que me conheço por gente, me lembro de ver imagens da torcida colorada derrubando grades, quebrando o cimento das arquibancadas ou arrancando cadeiras no Olímpico, e da torcida gremista fazendo exatamente a mesma coisa no Beira-Rio. Também já vi gente jogando rojão e foguetes na torcida adversária, quebrando carros, fazendo arrastão na saída de jogos e outros comportamentos parecidos.
E durante todo este tempo, duas coisas continuam a me impressionar: a leniência da torcida em geral, e a aparente vontade dos dirigentes de que este tipo de coisa continue se repetindo até que tenhamos por aqui uma tragédia como a do Pacaembu em 1995. Experimente sugerir que se aplique por aqui alguma das soluções utilizadas para acabar com os hooligans ingleses, e os torcedores rapidamente responderão que “ah, mas aqui é o Brasil, essas coisas não funcionam”.
Já os dirigentes, que depois de um dia como o de ontem deveriam se juntar para trabalhar em soluções conjuntas para lidar com suas torcidas, são rápidos em continuar a provocação. Na hora em que os banheiros químicos começavam a ser depredados, o presidente do Inter dizia que isso é coisa “de quem não está acostumado a jogar na primeira divisão“. Depois do jogo, um assessor do Grêmio disse que a culpa era da direção colorada, que teria provocado a torcida gremista.
Com isso, a imprensa volta a falar em fazer clássicos com a presença apenas da torcida da casa. Eu tenho uma proposta mais radical: fazer clássicos sem torcida. Primeiro, porque se os clubes e a polícia vão declarar sua incompetência em manter a ordem nos estádios, que prejudiquem ambas as torcidas e, quem sabe, façam estas pressionarem por uma solução de verdade para a situação. E segundo porque, de repente, se o furdunço começar a pesar no bolso dos dirigentes, estes também se sintam obrigados a fazer alguma coisa para efetivamente controlar a arruaça.
De resto, no caso de alguém realmente tentar implementar esta história de torcida única em clássicos, vou ficar em casa torcendo para estar equivocado na minha impressão de que a torcida adversária vai ficar do lado de fora do estádio só esperando o fim do jogo para desencadear uma depredação em massa da região.
Por fim, uma dúvida: se o Grêmio perder o mando de campo por algum jogo, onde ele vai jogar? No Beira-Rio?

Ulbra ou PUC.
Comment by Mirella Nascimento — August 3, 2006 @ 4:27 am