Nota do editor: a partir de agora, com a freqüência que ele bem entender, o paulistano Leonardo Carvalho vai escrever alguns posts sobre como foi sua experiência ao morar por alguns anos na capital gaúcha. Então, divirtam-se com seus causos e descobertas.
Paulistanos…
E se sou paulistano, devo o amadurecimento a Porto Alegre. Foi em 1991. Morávamos em Ilhéus fazia 9 meses e meu pai, hoteleiro, nômade, perguntou: “Vamos morar em Porto Alegre?”. Pior que a pergunta da minha mãe: “Tem praia?”, foi a resposta do meu pai: “Não sei.”
Nossa primeira casa foi o finado Hotel Caesar Park, nada a ver com a atual rede de hotéis. Era um hotel familiar e de primeira, ficava na Ramiro Barcelos quase na Independência. O prédio ainda existe e não sei o que é dele hoje. Lá, no mês de setembro, começamos a correria para achar colégio que nos aceitasse, minha irmã e eu. O IPA topou a parada.
Imaginem um primeiro dia de aula em pleno fim de segundo semestre numa oitava série. Passei por isso. Não teve grande impacto sobre minha vida (já estávamos ficando especialistas em nomadismo) mas não deixa de ter relevância.
Íamos por essas quando um colega de trabalho do meu pai nos convidou para um jantar no CTG 35. Churrascaço! Entremeado por amostras da cultura gaudéria. Daí veio o primeiro susto: começaram a tocar o Canto Alegretense. O povo a nossa volta batia nas mesas e cantava como nenhum paulistano sequer sonhara em cantar. Sei lá, alguém se arrisca a falar de alguma música que mexa com os brios paulistanos de tal forma?
Lembro que nesse mesmo fim de semana fomos atrás de uns tais “arcos” que vimos no centro da cidade e que achamos tão bonitos. Meu pai pegou o carro do hotel no domingo de manhã: “deve ser fácil de achar”. E lá fomos nós. Hoje eu sei que se trata da Borges de Medeiros. Quinze anos atrás, era “uma rua de arcos, assim, assado”. Não achamos naquele dia.
Vimos o primeiro pôr-do-sol no Guaíba naquele domingo. Não me lembro de ter visto um, senão mais bonito, mais significante. Era como se a cidade estivesse definitivamente nos acolhendo.
Daí pra frente são as histórias. Cada esquina do Bom Fim, bairro onde vivi com minha família e da Cidade Baixa, onde vivi sozinho, tem um pouco de mim. E é esse pouco que vou deitar aqui nesse espaço. Porres, discussões, risos, choros, tudo incluso. Espero que vocês aproveitem essa viagem por essa cidade de que tanto gosto através dos olhos de um paulista, tão diverso no princípio, tão acolhido no fim.

Não conheço POA, mas amei as desventuras! Deve ser o máximo ter um pai hoteleiro…
Comment by Carolina Ribeiro — July 27, 2006 @ 2:17 pm
A música de São Paulo
Nossos amigos do PAlegre, blog sobre a capital gaúcha, agora contam com o paulistano Leonardo Carvalho como colaborador. Leonardo morou em Porto Alegre e, em seu primeiro post no blog gaúcho, ele faz um comentário sobre a falta de uma “música tema…
Trackback by Sampaist — July 29, 2006 @ 11:39 pm
Sensacional. Que texto delicioso de ler.
Parabéns pelo blog.
Comment by Ana — July 31, 2006 @ 3:28 pm
Aí, filho.. agora acho que vc achou um veio bem rico.. vai dar o que falar essa sua garimpagem..
Comment by jonas — August 3, 2006 @ 7:52 am