culturaJune 17, 2006 7:34 pm

Última capital brasileira a regulamentar a meia-entrada, Porto Alegre aprovou uma lei mais flexível, adotando algumas exceções com a justificativa de evitar que os empresários repassem os descontos para os ingressos integrais.

Sancionada último dia 6, a lei da meia-entrada só passou a valer de fato ontem nos cinemas da Capital, depois de a Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas pedir um tempo para se adaptar às novas exigências. Agora, pessoas com até 15 anos e qualquer estudante matriculado em instituições de ensino, públicas ou privadas, têm direito aos descontos.

No cinema, de segunda a sexta, com a apresentação de documentos (a maioria das salas aceita carteirinha de ônibus, cartão da universidade acompanhado de comprovante de matrícula etc. – e não apenas as carteirinhas da UNE que ninguém tem), paga-se 50% do preço integral. Sábado e domingo, o desconto é de 10%.

Outra exceção na lei é para teatro, shows e apresentações de dança. O desconto de 10% é de sexta a domingo. E espetáculos com até duas apresentações (como a maioria dos grandes shows e peças) não têm obrigatoriedade de oferecer meia-entrada. No caso dos jogos de futebol, o ingresso de 50% é restrito à metade dos lugares da geral dos estádios.

Apesar das exceções questionáveis, imagino que os estudantes tenham o que comemorar com a aprovação e sanção da lei (eu já estou andando com meu cartão da Ufrgs e o comprovante de matrícula do semestre na bolsa).

arte & eventos, cidade 7:05 pm

Porto Alegre recebeu esta semana, da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul, quatro obras permanentes da última Bienal realizada na Capital, entre setembro e dezembro do ano passado. A cerimônia de entrega foi na quarta-feira, no Santander Cultural.

As obras, localizadas na orla do Guaíba (em intervalo de um quilômetro ao longo do Parque Harmonia), fazem parte do núcleo Intervenções de Caráter Permanente, do vetor Transformações do Espaço Público da mostra, que enfocam mudanças da noção de espaço. Por mais que algumas pessoas possam questionar o valor artístico das obras, é triste ver que já foram pichadas e estão bem mal cuidadas – como toda a orla do Guaíba, diga-se de passagem.

São elas (explicações retiradas do site da prefeitura):
Espelho Rápido, de Waltércio Caldas: composta por uma plataforma de granito que sustenta tubos de aço e quatro matacões de granito. Segundo o próprio artista, Espelho Rápido é intimista, “evitando falar ao público, privilegiando o indivíduo. É um lugar integrado ao ambiente, no qual o olhar e o movimento são fundamentais”.

Cascata, de Carmela Gross: consiste em 16 degraus de concreto com 23 metros de largura e tem como intenção ligar a calçada com a beira do Guaíba, permitindo a interação da população. “Minha idéia não é fazer uma escultura no sentido tradicional, distante, mas sim um equipamento urbano a ser utilizado pelas pessoas, que podem andar e sentar sobre ele. O declive natural do local ajuda, e a intenção é juntar o plano da calçada com o da beira do Guaíba através de uma sucessão de outros planos, que são os degraus”, explica a artista.

Olhos Atentos, de José Resende: composta por duas vigas de aço, que se estendem acima do Guaíba, formando uma passarela. Convidado para desenvolver uma obra contemporânea com características de equipamento urbano, o artista criou uma estrutura suspensa com a qual as pessoas podem interagir, caminhando sobre ela. De acordo com Resende, a obra criada para a Bienal do Mercosul – cuja característica marcante é a relevância dos materiais empregados e suas relações com o espaço, em lugar de apenas utilizá-los como suporte para formas convencionais – tem como objetivo fazer “Porto Alegre enxergar-se com novos olhos”.

A obra de Mauro Fuke, Paisagem (foto), é formada por 648 blocos de concreto com placa de granito no topo, que formam três ilhas, como pequenos morros. Para a criação, foi utilizado um programa de computador de geração de terrenos. O artista explica que sua intenção era estabelecer um diálogo com a paisagem em volta e trabalhar a idéia da intervenção humana. O aterro onde a obra foi construída é considerado ideal pelo artista, “por si só, já é uma intervenção do homem na paisagem”. Assim como a obra de Carmela Gross, a de Mauro Fuke também trabalha interagindo com o público. “As pessoas podem sentar, andar e deitar nas ilhas”, convida o artista.